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Nota contra os ataques dos Sinepes

Nota contra os ataques dos Sinepes

5 de março de 2021
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Á luta dos trabalhadores em educação pela vida

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee manifesta seu repúdio aos ataques patronais contra os sindicatos de professores e auxiliares de administração escolar, acusando-os de emperrar o retorno às aulas presenciais e, com isso, “tumultuar” o direito à educação e a própria garantia de emprego dos trabalhadores. 

 

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que as entidades sindicais representativas de professores e auxiliares de administração escolar não são contrárias ao retorno das atividades presenciais nas escolas, mas, sim, contra uma volta irresponsável num momento em que a pandemia da Covid-19 segue em total descontrole. 

 

Uma das provas de que Contee e seus sindicatos de base têm razão em seu posicionamento é a notícia de que, nesta terça-feira, 2 de março, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo anunciou que vai pedir ao Centro de Contingenciamento do Coronavírus que suspenda as aulas presenciais nas escolas paulistas, justamente porque, como avisamos, esse retorno amplia a circulação de pessoas em situações que poderiam ser evitadas. Assim como São Paulo, diversos outros estados e municípios também vivem um estrangulamento de seus sistemas de saúde devido ao aumento do contágio, ainda maior com a volta das atividades escolares presenciais. Não se trata de um risco que atinge apenas professores, técnicos administrativos e estudantes, mas toda a comunidade. 

 

Ao atacar as entidades sindicais de trabalhadores em estabelecimentos de ensino e pressionar os profissionais das escolas a um retorno a qualquer preço, são os sindicatos patronais que demonstram seu desprezo pela educação, tratada por eles, escancaradamente, como mera mercadoria. Mais do que isso: a pressão de donos de escolas, sobretudo aquelas com fins lucrativos, pela volta às aulas presenciais segue a cartilha da política ultraliberal e coloca os interesses econômicos acima de todos os direitos: à educação incluso, mas também à saúde, à segurança e à vida. 

 

Como já apontado pela Contee, o setor patronal tem usado um pretenso protocolo sanitário, que nem de longe responde à gravidade do momento pandêmico, para tentar vender para as famílias a falsa ideia de um retorno seguro — que não existe — e pressionar professores e técnicos administrativos para essa volta, inclusive com ameaças de demissão. 

 

Ao mesmo tempo, sindicatos patronais e donos de escolas responsabilizam os trabalhadores em educação e sua luta por seus direitos — bem como pelo direito de sobrevivência de toda a comunidade — por uma possível quebradeira que seria provocada pelos pedidos de redução de mensalidades, pela evasão escolar e pela inadimplência. 

 

Essas mesmas entidades patronais, contudo, nada fazem no sentido de cobrar ações afirmativas do Poder Público, entre as quais a vacinação dos trabalhadores em estabelecimentos de ensino, a garantia de auxílio a estudantes e seus familiares afetados pelo desemprego e pela crise econômica e a retomada do auxílio emergencial sem cortes nos investimentos em saúde e educação pública. 

 

 

 

 

Em resposta a esses ataques, a Contee expressa seu total apoio a seus sindicatos filiados, legítimos representantes legais da categoria, que lutam em defesa da vida dos trabalhadores e de toda a sociedade. Além disso, a Confederação, juntamente com suas entidades de base, reitera ainda que irá formular protesto nos tribunais regionais notificando os Sinepes quanto às responsabilidades, inclusive criminais, dos estabelecimentos que retomarem suas atividades na forma presencial, convocando compulsoriamente seus funcionários durante o pleno e incontrolável recrudescimento da pandemia da Covid-19, que já contaminou mais de 10 milhões e ceifou a vida de mais de 250 mil brasileiras e brasileiros. 

 

Nosso posicionamento segue alinhado com os dados científicos e as recomendações dos profissionais de saúde, os quais apontam que ainda não é possível um retorno seguro às aulas presenciais.

 

Brasília, 2 de março de 2021.

 

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino — Contee